- Nº 1626 (2005/01/27)
Ameaçados 120 postos de trabalho

<em>Sumolis</em> ameaça mudar-se

Trabalhadores
Após ter recebido milhões do PEDIP II, a administração da a Sumolis pretende despedir 120 trabalhadores, caso não aceitem mudar-se, com a unidade, para o Pombal.

Os trabalhadores saíram do plenário de dia 19, da fábrica de Carnaxide, em Oeiras, reclamando o direito ao trabalho, contra o desemprego. Segundo o dirigente do Sindicato Nacional da Indústria dos Trabalhadores de Bebidas, João Pinto, os funcionários foram informados da intenção da empresa no dia 12, através de cartas individuais, e decidiram, neste plenário, exigir a continuação da unidade em Carnaxide, que está modernizada e tem apenas 12 anos de existência.
Em reunião com os sindicatos na semana anterior, a administração da Sumolis justificou a mudança com as quebras registadas na produção em Carnaxide, de 46 milhões de litros, em 2001, para 32 milhões, em 2004.
O mesmo dirigente sindical afirmou que a administração está a ameaçar os trabalhadores com três alternativas: «ou rescindem os contratos, ou vão para o Pombal, ou são despedidos».
Quem aceitar mudar a sua vida «recebe subsídios de cerca de 180 euros por mês, apenas por três anos», afirmou João Pinto. Ao fim do triénio, termina a comparticipação.

Fundos esbanjados

A deslocalização terá por base negócios de especulação imobiliária: «Os terrenos valem muito», afirmou João Pinto, chamou a atenção para a existência de um posto à entrada do espaço onde se realizou o plenário, onde se lia que a teve benefícios do PEDIP II, de 2 milhões e 360 mil contos, para esta unidade em Carnaxide.
O sindicato considera que o PDM poderá ser alterado nos próximos anos, passando a autorizar a conversão do espaço para fins urbanísticos e, então, a urbanização poderá avançar.
Por outro lado, «o Código do Trabalho autoriza o alargamento significativo dos horários de trabalho, permitindo que a empresa produza o mesmo com menos trabalhadores», esclareceu João Pinto. A empresa pretende continuar a produzir os mesmo resultados em Pombal, diminuindo os custos com pessoal.
Para o sindicato, a Sumolis devia dar a possibilidade de os trabalhadores poderem deslocar-se de comboio, para trabalhar em Pombal. Mas, segundo João Pinto, «a medida foi rejeitada pela administração».

Um mês de luta

Os trabalhadores têm trinta dias, desde a recepção das cartas para «fazer das tripas coração», no sentido de manter os postos de trabalho, disse João Pinto. A empresa prevê o desmantelamento até 30 de Junho. Os que aceitem a transferência, terão de a efectivar até 16 de Maio. No plenário, nenhum trabalhador manifestou a intenção de a aceitar.
Os trabalhadores vão agora pedir audiências às instituições do Estado envolvidas no processo, e adoptar formas de luta, no sentido de não permitir o desmantelamento: «Acreditamos ainda haver, neste País, gente responsável que pedirá contas à administração por ter recebido dinheiros do PEDIP, que é do povo português, para agora encerrar», considerou o mesmo sindicalista.
Para trabalhadores e sindicato, há todas as condições para a empresa continuar, desde que a administração o pretenda: «A unidade já produziu 46 milhões de litros e agora afirma, de repente, que é impossível voltar a produzir a mesma quantidade.»«É uma falácia, uma vez que a rentabilidade da empresa depende das vendas», considerou João Pinto.

Manobra excursionista

Fernando Guerra, delegado sindical, contou-nos como a administração da SumolisCom 33 anos de casa, Fernando Guerra encara a possibilidade de abandonar a unidade, mas tem 52 de idade, e a consciência das dificuldades para encontrar novo emprego, além de considerar bastante fraca a indemnização a que teria direito, caso rescindisse. Vai, por isso, lutar, pelo posto de trabalho.

Com quem trabalha

O deputado do Grupo Parlamentar do PCP, António Filipe, esteve presente, à saída do plenário, «com o objectivo de conhecer pela voz dos trabalhadores, a sua posição e que medidas tencionam adoptar», afirmou ao Avante!.
O PCP pretende ver «assumidas responsabilidades pela situação, tendo em conta que a Sumolis recebeu dinheiros públicos através do PEDIP para se instalar neste local e construir a unidade», referiu. «É inaceitável lançar no desemprego 120 trabalhadores sem que a administração seja por isso responsabilizada», acrescentou. «Da nossa parte iremos actuar, no âmbito da Assembleia da República, uma vez que estamos perante uma situação em que o Estado e os trabalhadores saem defraudados, por ter havido um apoio público estatal para que fosse instalada a empresa, tendo depois a administração tomado a decisão unilateral de a encerrar», considerou. «Tudo faremos para salvaguardar os postos de trabalho e manter a unidade de Carnaxide em laboração», concluiu.